AUTISMO : AUXÍLIO
NA COMUNICAÇÃO
Andréa Simon
Imagine-se
em um outro país com uma cultura, hábitos, língua diferentes. Como você se
sentiria neste lugar onde não consegue se comunicar ou compreender os atos das
pessoas que são bem diferentes dos seus? A sua primeira reação provavelmente
seria a de tentar manter uma comunicação. Da mesma maneira o autista precisa
encontrar um caminho para se comunicar e, com isso diminuir sua frustração,
trabalhar a socialização e seu crescimento como ser humano.Comunicação é uma
área muito difícil para os autistas.
Algumas
características dos autistas que dificultam a comunicação são: a distração, a
dificuldade de processar instruções orais, manter atenção e organizar
informações que estão recebendo. Também têm dificuldade de processar os cincos
sentidos (tato, visão, audição, paladar, olfato) de uma só vez, ou mesmo de
utilizar mais que um deles de cada vez. Esta inabilidade de ser compreendido
afeta o comportamento podendo gerar maneiras inapropriadas para se comunicar
como bater a cabeça, gritar, ou manter hábitos indicadores típicos do autismo.
Um exemplo: os pais podem compreender que andar de um lado para o outro
quer dizer que ele necessita ir ao banheiro, mas para outras pessoas esta ação
não terá um significado a ser imediatamente compreendido. Conseqüentemente, se
você estabelecer uma maneira de manter a comunicação, poderá eliminar muitos
problemas de comportamento.
Muitos
autistas têm uma compreensão limitada do processo de comunicação ou nenhum tipo
de compreensão. Ao escolher um método de comunicação é necessário que a meta
usada seja a de possibilitar ao autista conquistar sua independência, encorajar
iniciativa, estabelecer uma comunicação espontânea conseguindo expressar suas
vontades, necessidades, pensamentos, sentimentos, em diferentes situações e com
distintas pessoas. Se um autista consegue efetivamente conquistar a habilidade
da comunicação antes de atingir os seis anos de idade, terá melhores condições
de desenvolver a comunicação e se tornar um autista de bom funcionamento.
Maneiras
de trabalhar a comunicação:
» Dar
ênfase ao lado visual;
»
Rotina;
» Criar
situações nas quais o indivíduo tenha que fazer uma escolha entre um
objeto;
que gosta e um objeto que não gosta;
»
Estabelecer uma meta de comunicação para cada atividade;
Encorajar
interação com outras crianças;
»
Encorajar brincadeiras nas quais tenha que se revezar.
Encorajar
a comunicação:
»
Validar qualquer tipo de comunicação.
»
Encorajar atividades que envolvam materiais como atividades físicas,
movimentos,
música (incorpore música e movimento nas atividades).
»
Encorajar a iniciação de comunicação (não antecipe as necessidades. Controle
aceso
aos objetos preferidos).
Problemas
motores podem resultar em dificuldades no desenvolvimento da fala indicando a
necessidade de estabelecer uma maneira alternativa de comunicação. Esses
sistemas não são desenvolvidos para substituir a fala, mas para servirem como
suplementos e facilitar a verbalização em de uma maneira eficaz.
» Gestos e apontar
» Comunicação com objetos e fotos
» Trocas de objetos ou fotos
» Fotos de símbolos com palavras
» Palavras e letras
» Linguagem de sinais
Estes
métodos alternativos de comunicação podem oferecer uma maneira de comunicação
que seja apropriada e afetiva e, com isso, poderá ocorrer a aprendizagem.
» Aprender o processo de
comunicação.
» Engajar em comunicação
intencional para expressar vontades e necessidades
» Experiência em trocar
comunicação.
Apontar,
gestos e birra podem ser apropriados para alguns. Comunicações mais simples são
freqüentes para se poder começar uma comunicação funcional. Seja qual for o
método de comunicação que você escolher, explicite-o, deixe-o sempre a mostra,
faça com que ele seja reconhecido pelo autista.
» Troca de objetos funciona bem
para pessoas que não apontam, que têm
problemas
de visão ou têm dificuldades com fotos (as fotos muitas vezes são
abstratas
no começo e podem ser usadas coladas em um objeto por elas
representado
- Exemplo: em um copo, colar a foto de um copo do PECS para
pedir
água). Uma maneira de introduzir esse método é criando uma caixa de
objetos
que a pessoa pode usar quando desejar pedir ou comunicar algo. A caixa
poderá
ser dividida em quatro ou mais divisões e as fotos separadas por classes
(Exemplo:
brinquedos; comidas; utensílios, etc.).
» Fotos (PECS) podem ser arrumadas
em um fichário ou roteiro colocados na
parede.
Este sistema oferece o suporte visual necessário. (Pesquisas provam que
este
sistema e a linguagem de sinais também facilitam o desenvolvimento da
fala,
quando usados corretamente, para não criar dependência).
» A linguagem de sinais tem sido
usada não só para surdos e mudos, mas
também
para pessoas com problemas de comunicação. Pode ser usada para
cada
palavra que você diz ou para palavras especificas que deseja acentuar. Este
método
tem sido uma maneira bem afetiva de ensinar comunicação e manter a
atenção.
Deve ser usado com consistência: em casa, na escola e nas atividades
diárias.
» Estimule o individuo a fazer
qualquer barulho para pedir algo. Então você dará
o
que ele deseja. Com isso, aos poucos ele descobrirá a importância de usar as
palavras.
Exemplo: "bis" para biscoito (coloque o biscoito em um lugar que ele
não
tenha acesso) faça de conta que não compreende o que está sendo pedido
até
que ele use o som "bis" (ao dar o biscoito fale
"biscoito"). Quando começar a
usar
o "bis" para biscoito ensine outro som para representar outra coisa.
Depois
da
criança aprender umas dez palavras aproximadamente e começar a falar
claramente
(não necessita ser perfeito), articule palavras até que ela comece a
usar duas palavras juntas ("quero biscoito").
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